Bruna Mendonça é anunciada como Miss Arábia em concurso da Copa

Modelo trans brasileira será a primeira participante trans da história da competição e fala sobre representatividade: “Parecia impossível”


Bruna Mendonça - Créditos: Ricardo Sakai
Bruna Mendonça – Créditos: Ricardo Sakai

A modelo e influenciadora Bruna Mendonça acaba de entrar para a história ao ser anunciada como representante da Arábia Saudita no concurso Miss Copa do Mundo. Com isso, ela se torna a primeira mulher trans a participar da competição.

A escolha chamou atenção nas redes sociais pelo simbolismo envolvido. Isso porque Bruna irá representar um dos países mais conservadores do mundo em relação às pautas LGBTQIA+, onde questões ligadas à identidade de gênero ainda enfrentam forte resistência social e cultural.

“Achei que nem seria aceita”

Segundo Bruna Mendonça, participar de um concurso de beleza parecia algo distante durante grande parte de sua vida.

“Eu nem cogitei me inscrever. Achei que não seria aceita. O preconceito já tinha me eliminado antes mesmo de eu tentar”, afirmou.

A modelo contou que o convite aconteceu após a indicação de um fotógrafo amigo à organização do concurso. A partir daí, ela acabou ganhando destaque rapidamente na votação online.

“Quando recebi o convite, não acreditei. Um fotógrafo amigo meu indicou meu nome para a organização e, logo no primeiro dia, eu disparei na votação [online]. Foi inesperado, uma surpresa. Ali me dei conta do meu potencial”, declarou.

Representatividade e quebra de barreiras

Para a influenciadora, carregar a faixa tem um significado que vai além da competição.

“Às vezes, o espaço que a gente achava que não existia precisa ser criado por alguém. Dessa vez, esse alguém fui eu”, disse.

“É uma baita responsabilidade carregar essa faixa. É muito simbólico esse título”, completou.

Bruna Mendonça revelou ainda que iniciou sua transição aos 16 anos, contando com apoio da família durante o processo. Antes do concurso, ela nunca havia participado de competições de beleza justamente pelo medo da discriminação.

“Eu achava que uma mulher trans não seria levada a sério. Hoje me sinto abraçada, valorizada e reconhecida. Não quero tomar o espaço de nenhuma mulher, mas quero que o meu também seja respeitado”, afirmou.

Organização fala em “ruptura”

Segundo a organização do Miss Copa do Mundo, a participação de Bruna representa a valorização de diferentes histórias e trajetórias dentro da competição.

“Não existe nada mais corajoso do que ser quem você é em um mundo que ainda não está preparado para te receber. A Bruna não representa apenas uma faixa. Ela representa uma ruptura”, declarou a organização.

Paixão por futebol e planos no entretenimento

Além da moda e das redes sociais, Bruna Mendonça também afirma ter forte conexão com o universo do futebol e pretende usar a visibilidade do concurso para ampliar sua presença no entretenimento.

Com bom humor, ela brinca sobre o tema.

“Eu me assumo, sim”, disse aos risos ao se definir como “maria-chuteira”.

“Gosto de futebol, gosto desse universo, já me envolvi com jogadores e tenho muita história para contar. O concurso tem tudo a ver comigo”, completou.

A final do Miss Copa do Mundo acontece em julho, em São Paulo.