Modelo trans brasileira será a primeira participante trans da história da competição e fala sobre representatividade: “Parecia impossível”
A modelo e influenciadora Bruna Mendonça acaba de entrar para a história ao ser anunciada como representante da Arábia Saudita no concurso Miss Copa do Mundo. Com isso, ela se torna a primeira mulher trans a participar da competição.
A escolha chamou atenção nas redes sociais pelo simbolismo envolvido. Isso porque Bruna irá representar um dos países mais conservadores do mundo em relação às pautas LGBTQIA+, onde questões ligadas à identidade de gênero ainda enfrentam forte resistência social e cultural.
Segundo Bruna Mendonça, participar de um concurso de beleza parecia algo distante durante grande parte de sua vida.
“Eu nem cogitei me inscrever. Achei que não seria aceita. O preconceito já tinha me eliminado antes mesmo de eu tentar”, afirmou.
A modelo contou que o convite aconteceu após a indicação de um fotógrafo amigo à organização do concurso. A partir daí, ela acabou ganhando destaque rapidamente na votação online.
“Quando recebi o convite, não acreditei. Um fotógrafo amigo meu indicou meu nome para a organização e, logo no primeiro dia, eu disparei na votação [online]. Foi inesperado, uma surpresa. Ali me dei conta do meu potencial”, declarou.
Para a influenciadora, carregar a faixa tem um significado que vai além da competição.
“Às vezes, o espaço que a gente achava que não existia precisa ser criado por alguém. Dessa vez, esse alguém fui eu”, disse.
“É uma baita responsabilidade carregar essa faixa. É muito simbólico esse título”, completou.
Bruna Mendonça revelou ainda que iniciou sua transição aos 16 anos, contando com apoio da família durante o processo. Antes do concurso, ela nunca havia participado de competições de beleza justamente pelo medo da discriminação.
“Eu achava que uma mulher trans não seria levada a sério. Hoje me sinto abraçada, valorizada e reconhecida. Não quero tomar o espaço de nenhuma mulher, mas quero que o meu também seja respeitado”, afirmou.
Segundo a organização do Miss Copa do Mundo, a participação de Bruna representa a valorização de diferentes histórias e trajetórias dentro da competição.
“Não existe nada mais corajoso do que ser quem você é em um mundo que ainda não está preparado para te receber. A Bruna não representa apenas uma faixa. Ela representa uma ruptura”, declarou a organização.
Além da moda e das redes sociais, Bruna Mendonça também afirma ter forte conexão com o universo do futebol e pretende usar a visibilidade do concurso para ampliar sua presença no entretenimento.
Com bom humor, ela brinca sobre o tema.
“Eu me assumo, sim”, disse aos risos ao se definir como “maria-chuteira”.
“Gosto de futebol, gosto desse universo, já me envolvi com jogadores e tenho muita história para contar. O concurso tem tudo a ver comigo”, completou.
A final do Miss Copa do Mundo acontece em julho, em São Paulo.