Em entrevista a Leo Dias, influenciador afirma ter ficado “chocado” com a pena de 11 anos e diz que problema vai além de um único criador de conteúdo
A condenação de Hytalo Santos a 11 anos de prisão por exploração sexual de menores ganhou repercussão nacional e provocou reações no meio digital. Entre elas, a de Carlinhos Maia, que comentou o caso durante entrevista ao jornalista Leo Dias e ampliou a discussão para a realidade social das comunidades e o consumo de conteúdo nas redes.
O humorista afirmou que recebeu a notícia com surpresa, mas ressaltou que nem sempre o público tem acesso a todos os elementos de um processo judicial.
“Eu fiquei chocado! Justiça. A gente não sabe, de fato, o que se passa lá dentro e o que é mostrado para a mídia. Se tiver alguma coisa que a Justiça sabe e que a gente não sabe, aí ok, a gente não tem que opinar em nada. A Justiça deve saber de alguma coisa que a gente não sabe. Se for pelos vídeos da internet, como a gente viu, é a realidade da favela mesmo, das comunidades”, declarou ao portal Léo Dias.
Ao longo da conversa, Carlinhos trouxe a própria trajetória para contextualizar sua opinião. Antes de se tornar um dos maiores nomes da internet brasileira, ele viveu em comunidade e, segundo ele, conhece de perto as dificuldades estruturais enfrentadas por milhares de famílias.
“Existem esses militantes de televisão, mas que não vivem a realidade do povo brasileiro. Eu vim de lá. É onde o palavrão corre solto dentro de casa por falta de políticas públicas, por falta de escola, de educação, por falta de tantas coisas importantes para as pessoas e para a sociedade”.
Para o influenciador, o debate sobre sexualização não pode ser direcionado apenas a uma pessoa. Ele aponta que o conteúdo consumido diariamente no país, especialmente nas plataformas digitais, também reflete essa cultura.
“Se você for agora a qualquer comunidade, tudo o que toca, inclusive nas próprias televisões quando colocam para rodar, é funk”.
Carlinhos argumenta que a sexualização é um fenômeno disseminado na música e nas redes sociais. Ele citou o TikTok como exemplo de como conteúdos com danças e letras explícitas se tornam virais rapidamente.
“Não vem só do influenciador A ou B. É só você ver quais são as músicas que estão no topo. É só você ver a nossa principal rede social, que é o TikTok. Entra lá um pouquinho: você vai ver mães dançando, filhos dançando e a maioria das músicas não vai ter uma sinfonia de Beethoven tocando, não vai ter Elis Regina tocando”.
Ao mencionar letras populares, completou: “É tipo assim: ‘Senta no meu…’, ‘Desce gostoso rebolando’. A maioria das músicas que fazem sucesso hoje em dia é assim: ‘Vem comer minha…’. Tudo isso existe! A sexualização é nacional. E é muito louco, eu acho uma hipocrisia quando você quer eleger apenas um bode expiatório como raiz do problema, quando, na verdade, está toda hora colocando isso dentro da sua casa — e eu tenho certeza de que você não está nem aí para isso”.
A fala do influenciador dividiu opiniões e reacendeu discussões sobre responsabilidade digital, cultura popular, proteção de menores e o papel das plataformas no controle de conteúdo sensível. O caso segue repercutindo e levanta questionamentos sobre os limites entre entretenimento, liberdade de expressão e impacto social.