Vitória democrata amplia pressão sobre governo Trump e pode abrir investigações sobre a permanência dos irmãos nos Estados Unidos
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos pode trazer consequências para Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro. Com a conquista da maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, o partido terá mais instrumentos para investigar decisões do governo de Donald Trump, incluindo as circunstâncias da entrada e permanência dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro em território americano.
Segundo informações publicadas pelo Metrópoles nesta quinta-feira (5), a nova composição do Congresso poderá aumentar a pressão sobre a Casa Branca. Apesar disso, a mudança política não significa que os irmãos serão automaticamente deportados ou obrigados a retornar ao Brasil.
Os democratas assumirão o controle das duas Casas em janeiro de 2027, quando os parlamentares eleitos tomarão posse. A partir daí, poderão ampliar investigações, convocar autoridades e solicitar documentos relacionados à atuação do governo americano.
Uma das principais iniciativas envolve a deputada democrata Pramila Jayapal, que está entre os 25 parlamentares responsáveis por uma carta enviada ao secretário de Estado americano, Marco Rubio.
O documento solicita esclarecimentos sobre a possível participação de autoridades dos Estados Unidos na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e em sua entrada no país.
Os congressistas querem saber se funcionários do governo americano tiveram conhecimento das restrições judiciais impostas ao senador e se houve algum tipo de assistência para facilitar sua viagem.
A carta reúne 15 perguntas e estabelece 13 de novembro de 2026 como prazo para uma resposta formal do Departamento de Estado.
Flávio deixou o Brasil após a derrota na eleição presidencial de outubro, passando pela Argentina antes de seguir para os Estados Unidos. Sua saída ocorreu apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, relacionada à entrega de seus passaportes e à restrição de viagens internacionais.
A eventual participação de autoridades americanas na viagem ainda é objeto de questionamentos e não pode ser considerada comprovada apenas pela existência da investigação parlamentar.
Embora a vitória democrata represente uma mudança importante no cenário político americano, o Congresso não possui autoridade direta para determinar a deportação de estrangeiros.
A professora de direito internacional Elaini Silva, ouvida pelo Metrópoles, explica que decisões sobre vistos, asilo e autorizações de residência pertencem principalmente ao Poder Executivo.
Isso significa que os parlamentares podem investigar possíveis irregularidades, cobrar explicações e pressionar politicamente o governo, mas não determinar, por conta própria, a retirada dos irmãos do território americano.
Donald Trump continuará na Presidência dos Estados Unidos e manterá suas atribuições relacionadas à política migratória.
Uma eventual deportação dependeria de fundamentos legais e de procedimentos específicos conduzidos pelas autoridades competentes.
A situação de Eduardo Bolsonaro é diferente da enfrentada pelo irmão.
O ex-deputado vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo.
Com a nova maioria no Congresso, parlamentares democratas poderão ampliar os questionamentos sobre contatos entre integrantes do governo Trump e aliados da família Bolsonaro.
Entretanto, a existência de uma condenação no Brasil não provoca automaticamente a deportação de uma pessoa que esteja nos Estados Unidos.
A retirada de um estrangeiro do país ou sua eventual extradição depende de regras e procedimentos jurídicos próprios.
A permanência dos irmãos Bolsonaro nos Estados Unidos também passou a provocar manifestações nas redes sociais.
A hashtag #DeportTheBolsonaros, que pede a deportação dos integrantes da família, ganhou repercussão entre usuários brasileiros do X.
A mobilização ocorreu paralelamente às cobranças de parlamentares democratas por esclarecimentos sobre a atuação do governo americano.
Mesmo com a pressão pública, não há confirmação de que as autoridades dos Estados Unidos tenham iniciado procedimentos de deportação contra Flávio ou Eduardo em consequência do resultado eleitoral.
O próximo desdobramento esperado é a resposta do Departamento de Estado à carta dos congressistas, prevista para 13 de novembro.
Até lá, a possibilidade de deportação permanece no campo das hipóteses. O que efetivamente mudou foi o equilíbrio político em Washington, que poderá colocar decisões do governo Trump relacionadas à família Bolsonaro sob fiscalização mais rigorosa.